domingo, 10 de julho de 2011

BBB em Cordel

A "época" do Big Brother Brasil já passou, mas nem por isso as críticas devem ser esquecidas. Esse texto em forma de cordel é do cordelista baiano Antônio Barreto. Leia e reflita: 

BIG BROTHER BRASIL
 Autor: Antônio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

           Curtir o Pedro Bial
          E sentir tanta alegria
           É sinal de que você
          O mau-gosto aprecia
         Dá valor ao que é banal 
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão fuleiro
Produzido pela Globo 
                                                     Visando Ibope e dinheiro
                                                    Que além de alienar
                                                     Vai por certo atrofiar
                                                        A mente do brasileiro.
                                                    
                                                       Me refiro ao brasileiro 
                                                        Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, zé-ninguém
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme armadilha.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.   

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
 Carente de educação
                                                      Precisa de gente grande
                                                      Para dar boa lição
                                                         Mas você na rede Globo
                                                       Faz esse papel de bobo
                                                       Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os heróis protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
 
Não se vê força poética
        Nem projeto educativo.
         Um mar de vulgaridade
        Já tornou-se imperativo.
         O que se vê realmente                          
     É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
professor, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos belos na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos emburrecer
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
                                                    Reflita no seu labor
                                                      E escute seu coração.

                                                     E vocês caros irmãos
                                                     Que estão nessa cegueira
                                                     Não façam mais ligações
                                                    Apoiando essa besteira.
                                                     Não deem sua grana à Globo 
                                                          Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
          Dos nossos educadores
       Dos alunos, dos políticos
          Poetas, trabalhadores?
       Seremos sempre enganados
          e vamos ficar calados
       diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal?
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal?

FIM 


Você que só fez rolar a página pra baixo e não leu todo o texto: Parabéns, esse texto é totalmente dedicado a sua pessoa!
 
Dica do Kleiton Lucas.

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